Um soldado chegou ao quartel para o seu primeiro dia de serviço, dirigiu-se
ao sargento que estava no atendimento e disse com todo o entusiasmo: "Bom-dia,
doutor". O sargento, bastante sisudo, respondeu: "Doutor não senhor, é sargento
Fulano e é bom você já ir se acostumando". Aí o soldado retrucou: "Desculpe, seu
sargento, é que eu pensava que doutor era mais do que sargento".
Isso me faz lembrar de um colega que gerenciava uma das filiais da empresa em
que trabalhávamos, no início dos anos 70, o qual se comportava como um
verdadeiro chefão. Era um cidadão que só andava de cara fechada, de poucas
palavras, mas geralmente ríspidas e por isso dificilmente tinha pessoas ao seu
redor.
Aliás, sorrir pra quê? Só para ter que movimentar os 28 músculos da face sem
necessidade, gastando calorias à toa?
Certo dia, um senhor humilde, que prestava serviços de carrego e descarrego dos
produtos no depósito, chegou com um jornal, cuja manchete era sobre o aumento do
preço da gasolina e falou com ele também da possibilidade de um aumento no valor
pago pelo trabalho que executava.
Ele olhou para o pobre homem e disse num tom curto e grosso "Olha, seu filho
da..., você é tocado a gasolina ou a mandioca? Se for a gasolina a porta de
saída é aquela ali". Com isso, o prestador de serviço se retirou da sala e foi
dar continuidade ao seu trabalho, com a nítida expressão de raiva e
desmoralização.
Ainda para ilustrar sobre a relação chefe x subordinado, no passado tive
subordinação a dois gerentes de vendas, com estilos de liderança totalmente
diferentes. O primeiro adotava o trabalho em equipe, sabia pedir favor,
reconhecer e agradecer pelo desempenho da equipe. O seu sucessor era totalmente
o oposto. Liderava na base da ordem e da cobrança. Pedir favor e agradecer não
fazia parte do seu vocabulário, portanto era mestre em desintegrar equipes.
No primeiro caso, quando as vendas não estavam muito favoráveis todos os chefes
de equipes recebiam do líder uma carta personalizada sobre os objetivos da
empresa, com a solicitação no sentido de cada um colaborar com determinado
número de faturamento. O empenho e o entusiasmo do grupo era total, embora todos
tinham consciência da obrigação de se atingir os objetivos. Cumprida a missão,
todos recebiam outra carta, mas desta vez de agradecimento. O outro líder
simplesmente dizia que tinha que chegar naquele mês a determinado número e que
cada equipe tinha que cumprir a sua meta.
No final de cada missão, nesses períodos de gestão, era notória a diferença com
relação ao nível de satisfação das equipes. No primeiro modelo havia um sabor de
vitória e os obstáculos superados faziam parte das comemorações, enquanto que no
outro, mesmo depois de alcançado os objetivos, não dava impressão de vitória,
mas somente de dever cumprido.
Como se vê, estilos de liderança diferentes podem até alcançar os mesmos
resultados, mas com reações diferentes dos liderados. E os bons líderes são
aqueles que através de simples palavras e ações fazem com que todos se unam
voluntariamente no sentido de conseguir mais do que lhes é solicitado.
É aí onde está o princípio da liderança, que é a capacidade de inspirar,
influenciar e motivar pessoas no sentido de atingir e até superar objetivos,
vencendo obstáculos, aparentemente intransponíveis, chegando-se ao final da
missão com o mesmo entusiasmo do início. Quando todos são unânimes em dizer:
"Nós fazemos isso com muita satisfação e estamos orgulhosos pelo resultado".
Peter Drucker dá a definição de líder em poucas palavras como "Sendo aquele que
tem seguidores". Mas para que tenham seguidores é necessário ser muito mais do
que um simples chefe, a fim de conquistar o apoio e a confiança incondicional
dos liderados tendo como base o respeito, honestidade, sinceridade e, sobre
tudo, a vontade de fazer em conjunto com o grupo para se atingir objetivos
comuns.
Mesmo nos quartéis onde o comando é através da ordem, o bom exemplo dos
superiores economiza palavras desnecessárias para que os comandados os sigam sem
necessidade de estar empurrando a tropa. Com certeza, em qualquer hierarquia de
uma organização o superior conseguirá muito mais do subalterno quando tiver a
capacidade de transformar uma ordem num pedido ou através do exemplo.
Assim como em toda atividade há bons e maus profissionais, na carreira militar
também existem os maus e os bons sargentos. E também como nem todo sargento
chega a oficial e muito menos a general, nem todo chefe chega a diretor, para o
bem dos subordinados.
O chefe nunca se refere ao grupo, mas somente a ele. Geralmente diz "eu fiz",
"Os meus funcionários", ao contrário do líder que diz "Nós fizemos", "Os nossos
funcionários", e assim por diante. É exatamente onde está a diferença entre o
chefe e o líder - no trabalho cooperativo por parte do líder que faz questão de
dar os créditos aos membros da equipe e não somente se creditar dos resultados
positivos como fazem os chefes.
Os líderes são dotados de várias características, como: autocontrole, senso de
justiça, personalidade agradável, responsabilidade, coragem, capacidade de
decisão, automotivação, conhecimento, planejamento, empatia, cooperação etc.
Todas são altamente importantes e dispensam comentários, pois sem essas
qualidades não é possível exercer liderança com sucesso.
Entretanto, faço um destaque especial para a empatia, que ao olhar as coisas com
os olhos dos subordinados fica mais fácil de se adaptar às condições individuais
das pessoas ao seu redor, bem como das diversas situações enfrentadas no
dia-a-dia, o que permite respeitar limites e comportamentos diferentes. Além do
mais, ressalto o senso de justiça, onde em liderança não pode haver
parcialidade, pois através de ações justas para com todos os liderados é que se
constrói uma equipe coesa e com relações sadias que durarão muito tempo,
assegurando o sucesso de qualquer empresa.
E em liderança é fundamental o trabalho cooperativo, pois só existe sucesso se a
cooperação for voluntária, ao passo que a forçada, sem dúvida, culminará com o
fracasso. Vivemos hoje numa sociedade de relações independentes, onde
dificilmente se conseguirá êxito em qualquer profissão ou atividade sem a
participação das outras pessoas, sejam diretores, gerentes, chefes ou
subordinados. Todos dependemos uns dos outros. Portanto, as expressões de ouro
como: "Por favor", "Conto com sua colaboração", "Obrigado por ter feito" etc,
usadas com freqüência na vida profissional e particular transformam as pessoas
como um verdadeiro passe de mágica.
Sobre o Autor: Antônio P. B. Braga é palestrante e instrutor de Vendas e
Qualidade no Atendimento da Sagra Consultoria em Vendas. É também autor de
artigos sobre os referidos temas publicados em diversos sites do gênero tais
como: Venda Mais (www.vendamais.com.br);
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