Você conhece alguém que está sempre de mal com a vida? Que por mais que você
seja agradável, simpático, faça as coisas bem-feitas, destaque-se em algo, será
sempre alvo de uma crítica negativa por parte desse alguém? Tenho certeza de que
você, assim como eu, depara-se constantemente com pessoas que estão sempre
incomodadas com o sucesso dos outros. Pessoas que não podem ver alguém feliz,
esbanjando entusiasmo e humor, que procuram logo azedar a sua vida. Inclusive,
quando comento em palestras e treinamentos sobre a importância do bom humor,
surgem sempre comentários por parte de alguém que alguns chefes e mesmo colegas
de trabalho ficam incomodados até com o sorriso natural das pessoas que possuem
essa característica, chegando mesmo a repreendê-las, com o objetivo de
inibi-las. Pessoas que até já mudaram de emprego por não suportarem as críticas
dos seus chefes azedos!
Essa é uma situação comum no dia-a-dia das empresas, assim como no dia-a-dia das
pessoas particularmente que dificilmente vai mudar. O negócio é aprender a
conviver com isso sem se abater negativamente, procurando fazer cada vez melhor
a sua parte, sem perder o entusiasmo e a motivação. Entretanto, se as coisas
infelizmente não mudarem mesmo dentro da empresa, chegando ao ponto de não
suportar mais, o negócio é partir para outra, mas lembrando-se de que não se
estará imune desses problemas nas outras. O certo é que se você continuar
fazendo bem-feito pode ter certeza de que haverá sempre reconhecimento por parte
de alguém de outro departamento da empresa, ou mesmo do concorrente, mas na mão
você não ficará.
No dia-a-dia do consultor/palestrante também não é diferente, pois nunca se
agradará a gregos e troianos ao mesmo tempo. Sempre irá encontrar-se uma
percentagem de pessoas que vão dizer que não gostaram de determinada palestra,
por melhor que seja. Isso ocorre, sobretudo quando se fala de um tema, onde se
mostram algumas atitudes negativas que coincidem com as características
marcantes dessas pessoas, as quais vestem a carapuça. Porém, o consultor
consciente sabe que sua função não é de agradar a todos, mas mostrar como fazer
o certo, bem como evitar e corrigir erros, embora ciente de que isso afete muita
gente.
Quando me perguntam o que fazer, gosto de contar aquela parábola da serpente e o
vaga-lume, bastante conhecida e que serve para muita gente:
Um vaga-lume estava sendo perseguido por uma serpente e não agüentando mais de
cansaço pediu a ela uma oportunidade para lhe fazer três perguntas antes de
morrer. A serpente respondeu que não costumava dar chance às suas presas, mas já
que ia morrer mesmo, podia fazê-las. Primeiro, perguntou se vaga-lume era comida
de serpente. Ela respondeu que não. Perguntou se tinha feito algum mal a ela.
Também não. Então por que queria devorá-lo? Aí a serpente disse que não
suportava vê-lo brilhar.
Será que no dia-a-dia das pessoas há muitas serpentes incomodadas com o brilho
dos outros? Como é na sua empresa? E na sua vida particular? Lembre-se: não se
abale e nem estrague sua felicidade por causa dessas serpentes. Aliás, não peça
licença para ser feliz, determine a sua felicidade.
Como nunca é tarde para se promover alguma mudança na vida, mesmo na das
pessoas-serpentes, eis aqui algumas sugestões que colocadas em prática farão com
que elas passem a ser aceitas e, quem sabe, até queridas pelos outros. Portanto,
vale a tentativa no sentido de mudar.
Vacine-se definitivamente contra a inveja, a arrogância e o individualismo,
aprendendo a trabalhar em equipe, dando o máximo de atenção e ouvido aos outros,
bem como estimular para que expressem seus pensamentos e idéias. Toda idéia é
válida, por mais simples que seja, mas só serão expressadas pelas pessoas se
forem valorizadas. Uma das coisas mais importantes de um trabalho em equipe é
convencer-se de que sempre precisamos um do outro, que a melhor relação é a de
interdependência.
Antes de liderar os outros, lidere a si mesmo, controlando suas emoções,
reconhecendo seus limites, procurando ser consciente dos seus pontos fracos,
sendo sempre ético honesto e transparente. Saiba aceitar seus erros,
reconhecendo-os e pedindo desculpas, pois isso não levará você a perder a
autoridade, mas sim construí-la com mais solidez. É importante que se tenha a
convicção de que não há pessoas perfeitas e o erro faz parte do processo de
aprendizagem. Elogie e repreenda as pessoas nas horas certas, mas sempre use da
sinceridade nos elogios e por ocasião da repreensão não perca o equilíbrio
emocional. Também não deixe de agradecer por qualquer idéia ou solução, pois
assim as pessoas se sentem valorizadas.
Demonstre sempre alegria, mesmo que os motivos não sejam favoráveis. Para tanto,
a primeira providência a ser tomada é a vacinação definitiva contra o mau humor,
contra o azedume, que afeta as relações entre as pessoas, por mais competência
que se tenha. Competência e mau humor não combinam com sucesso, principalmente
quando se lida com gente - seja colaborador ou cliente. Use e abuse da elevada
auto-estima, a fim de irradiar entusiasmo, positivismo e otimismo. Acredite e
goste de si próprio, pois só assim irá gostar e também acreditar nas outras
pessoas, dando-lhes a importância devida.
O líder verdadeiro é aquele que forma outros líderes, mas para isso é
fundamental ter a capacidade de se relacionar com pessoas, fazendo uso da
humildade, do bom humor, gostar de trabalhar em equipe e saber aceitar as
pessoas como elas realmente são. É importante lembrar que nunca é tarde para
mudar, e ser feliz, e desde que haja vida isso é possível. Basta querer.
Sobre o Autor: Antônio P. B. Braga é palestrante e instrutor de Vendas e
Qualidade no Atendimento da Sagra Consultoria em Vendas. É também autor de
artigos sobre os referidos temas publicados em diversos sites do gênero tais
como: Venda Mais (www.vendamais.com.br);
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