O Esporte Espetacular deste ano (TV Globo) mostrou uma matéria com um indiano
de 94 anos de idade, que é recordista internacional de maratonas de 42 Km na sua
faixa etária. O interessante é que começou a correr somente aos 89 anos. Hoje,
quer chova ou faça sol, no frio ou calor, diariamente às cinco horas da manhã
ele já está treinando. E ainda incentiva e treina o filho e o neto para
participarem de maratonas juntos.
Isso é uma demonstração de como nunca é tarde para se começar ou recomeçar algo
na vida, pois muita gente quando entra na faixa dos 50 a 60 anos já se entrega à
velhice, perdendo todo o seu entusiasmo e encanto. Muitos se aposentam cedo e
passam o dia em frente da televisão ou fazendo qualquer outra coisa, mas de
pouca utilidade, alegando que já trabalharam bastante. Outros, em idades até
mais avançadas, continuam em plena atividade e sempre satisfeitos.
As pessoas que param cedo vivem reclamando das dores nas juntas, do cansaço
físico, da mente esquecida, enquanto as de atividade plena estão sempre
procurando o que fazer. Praticam esportes, fazem ginásticas, dançam, participam
de trabalhos voluntariados, não tendo nem tempo de pensar no peso da idade.
A observação de Júlio Dantas é bem realista: "A velhice é um simples preconceito
aritmético, e todos nós seríamos mais moços se não tivéssemos o péssimo hábito
de contar os anos que vivemos".
O ser humano é corpo e mente, mas parece que muitas pessoas vivem apenas
fisicamente, dando a impressão que deixaram de existir espiritualmente. Então
sempre sem entusiasmo, reclamando, falando do passado e esquecendo do presente.
O mais lamentável é que muita gente jovem entra nesse grupo logo cedo. São
pessoas que vivem dizendo que levam uma vida medíocre, por fazerem o que não
gostam e por conta disso perdem o entusiasmo. E quando se pergunta por que não
mudam de profissão, tem-se como resposta que "as coisas hoje estão cada vez mais
difíceis, sobretudo quando se passa dos 30 anos".
Realmente as coisas não são fáceis e sempre nos deparamos com obstáculos quando
buscamos atingir nossos objetivos. O desafio está em superá-los, para chegarmos
aonde realmente queremos e fazer o que gostamos. É por isso que uma grande parte
das pessoas não é satisfeita com o que faz. Para algumas, os obstáculos nem são
tão grandes como imaginam, mas desistem antes mesmo de tentar, por falta de foco
e análise do grau da dificuldade.
Sempre recebo e-mails de pessoas perguntando o que devem fazer para se
entusiasmarem diante das pressões, das cobranças, sobretudo nas épocas de
crises. Ora, o entusiasmo é conseqüência da motivação de cada um, a qual é uma
questão de atitude. Assim sendo, ninguém motiva quem não estiver disposto a se
motivar, pois a atitude é pessoal. Mostra-se o caminho e cabe a cada um
percorrê-lo, mas consciente de que sempre encontrará dificuldades.
Ouço muitas pessoas dizerem que gostariam de trabalhar onde não há pressões ou
pelo menos que as cobranças não fossem tão grandes. Mas esse ambiente não existe
mais no mundo de hoje. Quer o profissional esteja no setor privado ou público,
bem como num grupo de voluntários, sempre haverá cobranças e metas a cumprir.
No campo das vendas, por exemplo, vejo vendedores dizerem que até gostam do que
fazem, mas só não ficam satisfeitos com as pressões para atingirem metas. Se
vendem bem num mês já começa o outro sendo cobrados, tendo como conseqüência o
estresse e a perda da motivação.
Muitos profissionais do setor privado gostariam de ir para o setor público
pensando na estabilidade e na pouca cobrança. Por sua vez, alguns profissionais
deste setor vão para o privado ou montam seu próprio negócio, a fim de enfrentar
novos desafios que os façam crescer. Há também profissionais que, além muito
ocupados, ainda dedicam parte do seu tempo para um trabalho voluntário.
Portanto, os objetivos, atitudes e satisfações variam de pessoa para pessoa. E
aquela que se diz satisfeita por não ser cobrada pelo que faz é porque ainda tem
muito a fazer e está desperdiçando o seu tempo.
Realizar sonhos, atingir objetivos, só é impossível para as pessoas que não se
apóiam no tripé: esforço, persistência e paciência. Talvez o mais difícil seja
definir o objetivo e dar o primeiro passo. Mas tomada essa decisão, o próximo
grande passo é o compromisso pessoal de que no seu vocabulário não há a palavra
"desistência", mesmo que as dificuldades encontradas no percurso sejam grandes.
Para tanto, é fundamental a forte crença em si e a determinação, que independem
da idade cronológica quando a espiritual está disposta a vencer.
Sobre o Autor: Antônio P. B. Braga é palestrante e instrutor de Vendas e
Qualidade no Atendimento da Sagra Consultoria em Vendas. É também autor de
artigos sobre os referidos temas publicados em diversos sites do gênero tais
como: Venda Mais (www.vendamais.com.br);
ZSC-Consultoria (www.mls.com.br/zsc);
Training Performance (www.trainingperformance.com.br);
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Representação (www.sdr.com.br); Top Vendas (www.topvendas.com.br).
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