"Os clientes estão sempre prontos para voar, como um grupo de aves nervosas
numa plantação de trigo." Richard Schonberger.
Você acredita em Papai Noel? E no Saci Pererê ou na existência do monstro do
lago Ness? Que, em Brasília, a maioria dos deputados e senadores está realmente
defendendo os interesses do povo?
Certamente, todos nós já passamos da idade de acreditar em contos de fadas.
Portanto, não acredite na fidelidade de um cliente - isso não existe!
-Como não? Discordo! Eu tenho vários exemplos de fidelidade de clientes, pessoas
que estão há muito tempo me dando a preferência, por isso...
* Não acredite na fidelidade de clientes, isso não existe!
Sim! Mas até quando? Você tem se perguntando por que esse cliente continua com
você? Quais os fatores que fazem com que ele volte sempre? Por outro lado, por
que os clientes "ingratos" - aqueles que você tratou tão bem, por tanto tempo -
de repente se foram e nunca mais voltaram? A culpa é deles ou sua? Da sua
empresa, talvez? Será que ele não encontrou uma alternativa melhor?
Na verdade, não existe cliente "ingrato"; o que existe de fato é um cliente
buscando sempre melhores alternativas e, quando ele as encontra, troca, sem
cerimônia, de fornecedor. Logo, o correto é dizer que determinado cliente "está
fiel", e não que ele "é fiel". Fidelidade, como estado definitivo, não existe,
pelo menos em negócios, no relacionamento cliente-fornecedor. O mito, o
equívoco, é entender a fidelização como um estado permanente, uma posição
definitiva, quando na realidade é um processo, e como tal mutável.
* A fidelidade de um cliente é um alvo móvel.
Assim como a perfeição, a fidelização de um cliente é uma meta que todos
devemos buscar, sem perder a consciência de que ela nunca será atingida, pois é
um alvo móvel, e de que a todo o momento estamos ameaçãdos de perder esse
cliente. Isso não significa que não devemos buscar constantemente sua
fidelidade.
Percebo um brilho diferente nos olhos dos participantes das palestras e
seminários que ministro, quando afirmo que o cliente é o bicho mais infiel do
mundo. A princípio é frustrante: tomar consciência de que a pessoa que se está
empenhado em satisfazer plenamente é infiel, nunca está satisfeita, está sempre
exigindo mais. Trata-se de uma tremenda decepção. Mas é uma realidade!
Você, sua empresa, podem estar oferecendo o melhor produto ou serviço do mundo,
há muitos anos, mas, se de repente alguma outra empresa - a concorrência
incomoda, não? - começa a apresentar condições melhores, atendimento e
relacionamento melhores, o cliente não vacila: troca de fornecedor! E não
adianta chamá-lo de "ingrato", ficar zangado, amaldiçoá-lo; isso só vai
demonstrar sua falta de compreensão desse processo.
A propósito, caro leitor, que ninguém nos escute, na condição de cliente ou
consumidor: você não age exatamente da mesma forma? E não se trata de ser ou não
ingrato. Trata-se de que cada um de nós, como seres humanos, queremos e
buscamos, sempre, a alternativa que se mostra melhor para nós. É direito de cada
um, portanto, constitui um comportamento normal, legítimo.
* O cliente é o "bicho" mais infiel do mundo. Só há uma maneira de segurá-lo:
encantá-lo permanentemente.
Nenhuma conquista é definitiva, inclusive, e principalmente, a de um cliente. A
relação com um cliente deve ser a de um namoro eterno (namoro: relação em que se
busca se surpreender sempre: plena atenção, pleno encantamento) e, depois o
casamento ( ou "ajuntamento" como queiram). Nessa fase tende a começar um
processo de relaxamento progressivo. Com o cliente, acontece a mesma coisa: uma
vez conquistados, comete-se o equívoco da acomodação. E é aí que mora o perigo!
* "...que seja infinito enquanto dure" Vinícius de Morais.
Em um mercado globalizado, crescente competitivo, não há dúvida de que o
comportamento do cliente está totalmente respaldado nos versos do poeta Vinícius
e, aqui para nós, nosso ciente tem todo o direito do mundo de dizer "Minha
fidelidade a você [fornecedor] é infinita, desde que você continue sendo minha
melhor alternativa", afinal é ele que paga a conta.
A propósito, quando seu cliente vai embora, você saberia dizer se ele foi ganho
(pela concorrência) ou (perdido por você)?
Sobre o autor: Sérgio Almeida é consultor, palestrante e autor de diversos
livros sobre relacionamento com clientes.Visite seu site para conhecer mais
sobre seu trabalho.
www.sergioalmeida.com.br.
Para mais informações sobre o Sérgio Almeida visite a sessão "Você com o
Especialista" em nosso site:
http://www.solucaolinks.com.br/vccesp.asp?id_esp=13