As pessoas não se transformam por coerção ou intimidação, mas por exemplos.
(John Maxwell)
Por cinco segundos, no máximo, enchi-me de satisfação e orgulho. Mas passado
isso, fui tomado por um peso incrível de responsabilidade. Imediatamente
imaginei o quanto já fiz na frente de meu filho, e que pode ter tido o efeito
contrário do que ocorreu naquela ocasião, dando a ele um péssimo exemplo de
conduta e moral. " Bem, é possível que ainda não tenha dado para "sacar" onde
quero chegar, mas vou contar o que houve, de uma forma resumida".
Estava viajando, no final de 2006, quando recebi uma ligação de um amigo e
colega de mercado imobiliário. Depois dos cumprimentos e vivas iniciais, meu
amigo disse que estava orgulhoso de mim, e de meu filho. Contou-me que estavam
todos na praia, inclusive meu filho, comendo caranguejos e se divertindo. Lá
para as tantas, pediram a conta, e quando esta veio, ele notou que o garçom
havia se enganado e não havia incluído três caranguejos. De comum acordo com os
demais, concordaram que não iriam mencionar isso ao garçom, e deixar a conta
como estava. Atento ao que estava acontecendo, uma vez que toda a mesa se
mobilizou para o assunto, meu filho percebeu o que estavam prestes a fazer, e
disse: "se meu pai estivesse aqui, isso não ia acontecer". A mesa toda parou,
olhou para ele, meio que constrangidos, e imediatamente voltaram atrás e pediram
que a conta fosse recalculada. Este meu amigo disse, ao telefone, que fazia
tempo que não tomava uma lição tão certeira, e logo diante de seus próprios
filhos.
Antes que você fique imaginando que estou querendo passar uma imagem de certinho
e moralista, quero, na verdade, chamar sua atenção para o contrário, e
publicamente aqui fazer minha auto-penitência. Ótimo que desta vez meu filho
tenha considerado uma conduta minha como exemplo, e que tenha replicado-a em
frente de outros. Mas fico imaginando a quantidade de vezes que devo ter pisado
na bola e que, da mesma forma que ele aprendeu a fazer o certo me olhando, não
deve ter ele aprendido o errado. Foi exatamente aí que toda minha sensação de
orgulho e regozijo mudou de mel para fel, e me fez sentir um nó no estômago,
tamanha a responsabilidade que recai sobre nossas costas, não só como pais, mas
como líderes em geral. É como a antiga, mas boa e sábia Bíblia registra no livro
de Oséias (4:9a): "Por isso, como é o povo, assim é o sacerdote..."
Muitas vezes ficamos preocupados com como nossos filhos, amigos, funcionários,
ou colegas de trabalho podem nos perceber a partir do que dizemos, mas
esquecemos que a mais valiosa lição é aprendida a partir dos exemplos. E muitas
vezes esquecemos que nossas condutas são incoerentes com o que defendemos.
Pregamos "não minta", mas por favor diga que não estou. "Beber é horrível", mas
várias doses em casa não fazem mal. "Não brigue com sua irmã", mas às vezes é
necessário encostar a mãe na parede. "Só aceitamos nesta empresa pessoas
honestas", mas por favor imprima na impressora da empresa estes trabalhos dos
meus filhos. "Horário é para ser cumprido", mas desculpem o meu atraso, "de
novo"!!! E por aí vai.
Esquecemos que independente das relações hierárquicas, de subordinação ou
liderança, nossos atos sempre constroem nos outros uma percepção de quem somos.
Às vezes estes atos são falsos, ou dissimulados, para melhor impressionarmos,
mas mais dia menos dia acabam sendo contrariados pelo que dizemos ou por nosso
"eu real" manifestado. Aí, passa a valer o real. Cuidado então, porque enquanto
você faz alguma coisa, muitas vezes, mesmo que você não perceba, tem alguém
olhando. O pior é que ela está aprendendo com isso. Não interessa se estão
aprendendo a fazer o que fazemos, ou aprendendo mis um pouco sobre como
realmente somos. Então, para os outros, que tipo de ensino seus atos têm gerado?
Sobre o Autor: Paulo Angelim Consultor e Palestrante Nacional em Marketing,
Vendas e Crescimento Pessoal. Autor do livro "Por que eu não pensei nisso
antes?". Contato:
www.pauloangelim.com.br E-mail:
pauloangelim@varejum.com.br.
Para mais informações sobre Paulo Angelim visite a sessão "Você com o
Especialista" em nosso site:
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