É comum ouvir-se de muitos vendedores que gostariam de agir com mais
profissionalismo, mas por pressão das altas metas de vendas impostas por suas
empresas são obrigados a vender de qualquer jeito. Reconhecem que não estão
agindo corretamente, vendendo às vezes produtos conscientes de que não são os
mais adequados para o cliente, mas infelizmente têm de cumprir ordens senão
perdem o emprego. Aí, perguntam: O que fazer? Por outro lado, há líderes que
dizem que a função do vendedor é vender, pois por ocasião da contratação desse
profissional já fica clara a sua tarefa. Portanto, não aceitam desculpas e
choradeiras pelas dificuldades de vendas e o não cumprimento das metas.
Realmente, isso acontece com freqüência no dia-a-dia de muitas empresas. Mas
daquelas que não conseguem manter clientes e nem vendedores qualificados, pois o
profissional que se preza tem consciência de que sua função na verdade é vender,
porém com qualidade. E o que é vender com qualidade? É aí onde está o xis do
problema, porque vender por vender é agir como um eterno apagador de incêndio.
E, lamentavelmente, o mercado está cheio de bombeiros, que conquistam e perdem
clientes todos os dias, até quando não for mais possível se manter assim.
Somente a venda de qualidade é que vai garantir a manutenção de um cliente, pois
ela visa em primeiro lugar à satisfação dele em sua plenitude. Um cliente só
volta a fazer novos negócios com empresas onde são bem-sucedidos e muitas vezes
isso não acontece. Portanto, vender bem não significa necessariamente vender com
qualidade e em muitos casos grandes volumes de vendas contribuem para a baixa
qualidade do negócio e perda de clientes. É lógico que o ideal é vender bem e
com qualidade, mas, para isso, antes de se pensar só no ótimo, como altas
vendas, deve-se fazer o bom - manter clientes satisfeitos.
A meta de venda deve existir? Não há dúvida que sim, pois se não houver tanto a
empresa como o vendedor ficam sem rumo, não podendo fazer um planejamento de
trabalho para alcançar os seus objetivos. Entretanto, para se estabelecer metas
alguns fatores devem ser levados em consideração, como: conhecimento do
potencial do mercado, concorrência, perfil do cliente, sazonalidade,
conhecimento do produto, qualidade, rotatividade, capacitação do vendedor,
divulgação e aceitação do produto, entre outros. Mas a meta não pode ser
superdimensionada como acontece com freqüência. Deve ser sim arrojada, mas
exeqüível. E, ainda, o vendedor profissional deve estabelecer a sua meta
particular, sempre um pouco acima da estipulada pela empresa, a fim de não se
limitar a fazer somente aquilo que lhe foi determinado.
Metas muito altas, acima da capacidade do mercado e do vendedor, realmente
favorecem a realização de vendas malfeitas, sobretudo quando o profissional é
passivo, aceitando tudo que lhe é imposto com medo de perder o emprego. Ora, de
qualquer maneira, a tendência é que ele perca o emprego naturalmente ou então
seja forçado a mudar de empresa, pois sempre irá se sentir incapaz de vender
altos volumes, além de empurrar produtos que não satisfazem as necessidades dos
clientes. Por agir dessa forma, a empresa também cria um ciclo vicioso,
conquistando e perdendo clientes constantemente, não conseguindo manter uma
carteira sólida e de longa duração. Como o mercado não é chiclete, vai chegar um
momento que não há mais clientes para ser conquistado.
O vendedor profissional é consciente e conhecedor de todos os fatores que
favorecem o bom desempenho do seu trabalho. Se a meta está sempre além de suas
possibilidades, ele é capaz de argumentar junto à empresa, já que preza pela
marca que criou e levou anos para se consolidar no mercado, que são o seu nome e
credibilidade. Ele é incapaz de jogar isso fora, simplesmente agindo de má fé
com o seu maior patrimônio - o cliente - vendendo-lhe algo que ao invés de
solucionar irá é criar mais problemas.
A conquista e manutenção de clientes dependem de vários fatores, mas sempre
gosto de ressaltar três que são de vital importância e que o profissional de
vendas jamais pode esquecer. COMPETÊNCIA, PROFISSIONALISMO, e MOTIVAÇÃO. Metas
inatingíveis, por exemplo, terão como conseqüência natural a falta de motivação,
a qual suga toda a energia que seria usada nas ações de vendas com entusiasmo e
vontade de realizá-las. Por mais competente que seja o profissional, mas se
estiver desmotivado dificilmente terá bons resultados. E em vendas não é
diferente; só será bem-sucedido aquele que é competente e motivado.
Não concordo com a desculpa da pressão de metas altas para agir com falta de
profissionalismo, porque se a empresa não é ética, também não conseguirá manter
nos seus quadros de colaboradores vendedores éticos. Toda empresa é o retrato do
seu líder. E vendedores profissionais são capazes de perceber facilmente se
estão trabalhando para empresas sérias ou não e não colocam o seu nome e
credibilidade em jogo, pois são conscientes de que aquilo que levou anos para
construir é destruído em questão de minutos, basta fazer um negócio malfeito com
cada cliente.
Sobre o Autor: Antônio P. B. Braga é palestrante e instrutor de Vendas e
Qualidade no Atendimento da Sagra Consultoria em Vendas. É também autor de
artigos sobre os referidos temas publicados em diversos sites do gênero tais
como: Venda Mais (www.vendamais.com.br);
ZSC-Consultoria (www.mls.com.br/zsc);
Training Performance (www.trainingperformance.com.br);
E-saber (www.esaber.com.br); Sistema de
Representação (www.sdr.com.br); Top Vendas (www.topvendas.com.br).
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